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Alma automóvel

  • Foto do escritor: Ricardo Soares
    Ricardo Soares
  • 30 de abr. de 2023
  • 3 min de leitura

Boas caros amigos. Hoje vou falar-vos de uma marca que nos acompanha há muito, mas com demasiados altos e baixos. Entre carros fantásticos do passado, falências e carros questionáveis dum passado mais recente, falo-vos da MG. Poucos a conhecem por Morris Garages, mas a MG está no nosso coração por carros emblemáticos como o MG TC de 1945, ou belíssimo MGB GT Mk II de 1968, carros de cariz desportivo, tipicamente ingleses, eleitos pela elite inglesa dos anos 70 e atores de Hollywood. Carros com alma, de uma marca constantemente desvalorizada.

Após um grande declínio, passou a ser conhecida pela vertente desportiva da Rover (também já falida actualmente), com o lindíssimo MG ZR, baseado no Rover 25 ou o fantástico MG ZT, uma berlina desportiva com motor V6 soberbo. 

A pergunta que se põe é : O que correu mal? Recuando aos anos 60 e 70, o temperamento dos carros da MG condenou-os. Esse temperamento, tão conhecido dos carros ingleses, é o que faz dos carros ingleses únicos, mas é também o seu calcanhar de aquiles. Certo que são belíssimos e desportivos, desejáveis, mas as avarias são recorrentes, o sobre-aquecimento constante e a fiabilidade questionável. São carros que gostam e precisam de atenção. 

Chegados os anos 80, com a introdução da injeção eletrônica, este tipo de carros ficaram para trás. Foram transformados em clássicos, e a meu ver muito bem. Relativamente aos mais recentes MG ZR e ZT, o problema foi usarem exatamente o mesmo motor e chassi dos 25 e 75 da Rover, porque caso contrário teriam cartas para dar no mundo automóvel.

Pois bem, a MG está de volta. Há algum tempo, cruzei-me com um carro completamente desconhecido para mim e após olhar bem reconheci o símbolo. Lá estava o conhecido MG na grelha mas que não combinava de todo com o resto do carro, com linhas completamente asiáticas, que à primeira impressão fez lembrar a Toyota, ou mesmo a Lexus. Como é obvio fui investigar e encontrei a justificação para a “orientalidade” dos novos MG. Os veículos são vendidos sob a sigla MG, mas a marca é agora subsidiária da SAIC MOTOR, de Xangai. 

Apresentam uma gama bastante completa, entre elétricos e híbridos, desde hatchback, passando por pequenos e grandes SUV e até carrinhas. As linhas são para certo tipo de gostos, que não coloco em causa aqui por razões óbvias, assim como a fiabilidade dos mesmo, pois ainda não estão no mercado há muito tempo, mas posso tecer umas linhas relativamente à sua “alma”.

Não têm a alma da MG, apenas o símbolo. Eu sempre comparei a MG com a Aston Martin, precisamente pela sua “alma”, pelo seu potencial, pelo seu cariz. Quem compra um Aston Martin, sabe o que está o comprar, sabe que vai dar problemas, sabe que são compras irracionais, mas compram pela sua “alma” forte e grande, por paixão. Assim eram os proprietários da MG antiga. Tinham orgulho do carro que conduziam, por mais problemas e defeitos que tivessem. 

Após conduzir um MG dos novos tempos senti que estava a conduzir apenas mais um carro rendido à obrigatoriedade da electrificação automóvel, completamente desprovido de cariz e sem "alma". Assim é a grande parte dos carros dos novos tempos, com ou sem eletrificação. Já conduzi carros eletrificados e garanto que mantêm a alma que deu origem à marca, mas a verdade crua e bruta é que o mercado automóvel está amorfo, perdeu-se o que caracterizava certas marcas, está a tornar-se num mercado de “fast-food” automóvel, faltando a diferenciação. Exceção feita a algumas marcas (infelizmente poucas) que se mantêm fiéis às suas origens, apesar de acompanhar a evolução dos tempos com a, já falada, electrificação. 


Será que temos de perder a “alma” em prol da modernização e eficiência ambiental? 

 
 
 

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