O fim da SEAT
- Ricardo Soares
- 31 de mar. de 2023
- 3 min de leitura
Boas meus amigos. O assunto que vos trago hoje causa-me algum pesar e apreensão, mas ao mesmo tempo curiosidade. O fim da SEAT… Sim, é isso mesmo. É oficial, a SEAT brevemente deixará de ser uma marca generalista de automóveis. Já tinha ouvido rumores sobre o assunto e fiquei séptico, até Waine Griffiths, CEO da SEAT o anunciar.
O que antes conhecíamos como a veia mais desportiva da SEAT, de “sobrenome” Cupra, vai assumir os comandos no mundo automóvel. E que “sobrenome” !!! Qualquer SEAT com o carimbo Cupra ao centro da tampa da bagageira era sinônimo de deixar todos para trás. Não conseguiram apenas velocidade e diversão dos mais entusiastas, conseguiram o respeito e admiração dos seus rivais. Com este ADN o resultado está à vista. Desde 2018 a Cupra é oficialmente uma marca automóvel, independente da SEAT. Arrisco dizer até certo ponto independente, porque continua a utilizar os modelos da SEAT em alguns dos seus lançamentos, sempre com o cariz desportivo que a batizou.
Há muita coisa para assimilar nesta mudança, por isso vamos por partes. Vocês terão tantas perguntas quanto eu tenho, mas ainda não há muita informação no mercado.Vamos tirar algumas ilações sobre o assunto e compreendê-lo melhor com base no que já aconteceu anteriormente com outras marcas, como a DS Automotive. Vertente de luxo da Citroen, agora independente, embora neste caso a Citroen não tenha deixado de ser uma marca que comercializa automóveis. Aqui surge a primeira questão. A SEAT deixa de comercializar automóveis, ou muda apenas o tipo de comércio dos seus carros? Continuará a ter os seus modelos e apenas os passa a alugar e permitirá a partilha em micro-mobilidade, ou recorrerá a modelos externos e passará a ser apenas uma plataforma de aluguer e partilha de meios de transporte em meio urbano? Exato, meios de transporte, porque também terá scooters para o efeito. O futuro dirá, mas se pensarmos um pouco, tudo indica que usará modelos do grupo Volkswagen.
Outra pergunta que faço é qual será a reação do mercado de automóveis usados relativamente aos modelos da SEAT. A minha visão é que uns modelos vão ser sobrevalorizados e outros vão valer perto de zero. Modelos valorizados: Ibizas mais potentes, como o Bocanegra, alguns TDI, um ou outro Leon mais carismático. Estes serão vistos como os últimos modelos de uma era de ouro de uma marca extinta. Modelos como o Arona, Ateca, Terraco valerão muito pouco no mercado de usados. Por isso deixo o conselho: seja inteligente ao comprar um SEAT neste momento. Ou compra o modelo certo ou vai perder imenso dinheiro em desvalorização. Estará a comprar uma marca extinta, daí haverá modelos que serão clássicos, sempre a valorizar, e haverá modelos condenados.
Mas a pergunta crucial que aqui se põe é: O porquê da Volkswagen tomar esta decisão? Haverá várias razões possíveis. Uma delas, que muita gente aponta, será o investimento necessário para o cumprimento das normas anti poluição da União Europeia. Não concordo. Os motores são Volkswagen, usados num Polo ou num Ibiza, num Golf, ou num Leon, pelo que esse investimento terá de ser feito de qualquer maneira pelo grupo. Outro motivo que muitos apontam será o prejuízo (leia-se poucas vendas) que a SEAT está a ter. Aí já estamos mais perto da verdade, embora tenha sido o próprio grupo VW a criar a concorrência, a Cupra. E aí apercebeu-se de uma coisa . A Cupra vende. A Cupra apresenta resultados sólidos após alguns anos (poucos) do surgimento como independente. A SEAT semeou a Cupra nos modelos Ibiza e Leon no início do milênio e agora está colhendo os frutos. Números como 500.000 unidades/ano previstos a curto prazo não podem ser ignorados, além de iniciarem a comercialização na América do Norte, como concorrentes diretos da Tesla, na própria casa do “inimigo”. Mostra ambição e confiança, o que adoro numa marca automóvel. Por mim já têm o meu respeito.
Na minha opinião este passo foi genial. Apostar na marca vencedora, criar carros muito bons, com cariz desportivo, conforto, alguns 100% eléctricos como o mercado exige hoje em dia e colocar a SEAT a “render” num nicho de mercado em desenvolvimento na europa, embora em países como o Japão e outros já exista há muito tempo. A meu ver foi das decisões mais inteligentes tomadas neste mundo automóvel. Os meus parabéns à Volkswagen.

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