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Parcerias e sinergias

  • Foto do escritor: Ricardo Soares
    Ricardo Soares
  • 9 de mar. de 2023
  • 4 min de leitura

Parcerias e sinergias


Boas caros amigos. Hoje trago-vos um assunto que passa despercebido a grande parte dos consumidores: as parcerias e sinergias entre marcas. 

Mas de que se trata isto de sinergias e parcerias? Simples… Tu tens uma coisa que eu quero e eu tenho uma coisa que tu queres. vamos partilhar. Até aqui, faz todo o sentido, quer económico/financeiro, quer no que diz respeito a interajuda entre marcas.

Num passado não muito distante lembro-me da parceria entre a Nissan e a Renault, que a meu ver fez todo o sentido, visto que a Renault precisava da tecnologia eléctrica da Nissan e a esta precisava dos blocos diesel mais pequenos da Renault, nomeadamente o 1.5 litros utilizado no Almera. A meu ver resultou na perfeição. Eu próprio tive dois Nissan, um com o motor 2.2 da Nissan, soberbo, mas com consumos proibitivos, e outro com motor Renault, fantástico e muito econômico, embora faltasse um pouco de “peito” em algumas situações, como ultrapassagens rápidas. 

Voltando ao que nos trouxe aqui hoje, se há parcerias que fazem sentido, outras nem por isso, pelo menos aos olhos de meros curiosos. Ocorre-me duas, nos últimos tempos. A Toyota com a Suzuki e, mais recentemente, Renault com a Mitsubishi. De notar que coloquei aquilo que considero a marca “Mãe” em primeiro lugar. 

Senão vejamos: A Toyota lança a versão actual do Corolla, abandonando a nomenclatura Auris, neste caso concreto falo da versão carrinha. Uma carrinha muito bonita por sinal, tecnológica, em suma, tudo o que o consumidor actual pretende, que além dos motores turbo a gasolina, possui duas variantes híbridas, a 1.8 e 2.0 litros, muito fiáveis, com potência QB e amigas do ambiente, de agradável utilização. Apenas uma nota aparte , eu conduzo uma Auris híbrida e desengane-se quem pensar que um híbrido desta gama é lento. De lento não tem nada, pois os 136CV estão lá todos e prontos a usar de modo instantâneo (embora em modo POWER de econômica não tem nada).

O que fez a Suzuki, com autorização da Toyota, obviamente? Vamos lançar a Swace. E perguntam alguns de vocês… “Que modelo da Suzuki é que estás a falar?” Estou a falar de um clone da Corolla. Interior idêntico, exterior exatamente igual, com uma diferença: o símbolo da marca. A motorização aqui usada é o motor 1.8 litros híbrido (apenas existe esta motorização) igual ao da Toyota. 

Quero deixar claro que não tenho nada contra isso, em conduzir uma "cópia" do modelo original, desde que tenha alguma vantagem para mim, como consumidor. Pois bem, lamento informar mas não há… O que escolheriam? Comprar uma Toyota Corolla ou uma Suzuki Swace, exatamente iguais, mas com uma grande diferença. O preço. Não fiquem espantados, mas o preço de uma Corolla, híbrida, 1.8 litros com 122CV ronda os 30.000€, ao passo que o modelo da Suzuki, exatamente com a mesma motorização é de 35000€. 5.000€ de diferença simplesmente não faz sentido. a prova disso é que é um modelo completamente incógnito nas nossas estradas, excepto talvez as do próprio stand da Suzuki, ou eventualmente algum aficionado da Suzuki, que tenha mais 5.000€ para gastar em paixão.

Outro exemplo, que falei em cima, é a parceria da Renault com a Mitsubishi. Acontece o mesmo. Temos o Renault Captur e o “novo” Mitsubishi ASX. Iguais, excepto, mais uma vez o símbolo, embora neste último caso a diferença de preço não seja significativa, apesar do Mitsubishi continuar a ser ligeiramente mais caro.


A minha pergunta é apenas uma… O que ganham estas marcas, outrora grandes marcas, com prestígio, em fazer estas parcerias? 

Será que os CEO destas marcas não percebem que “copiar” carros de outras marcas parceiras e colocar preços mais elevados não os vai salvar? 


As marcas “Mãe” têm capacidade financeira para colocar preços abaixo do custo de produção em alguns modelos, pois conseguem cobrir esse "prejuízo" por outros lados, como na competição desportiva ou mesmo noutros modelos. Coisa que não acontece com as marcas parceiras que se vêem “obrigadas” a colocar o preço de produção nos veículos clones. Na minha óptica, má aposta.

 

A meu ver, quer a Suzuki, quer a Mitsubishi deveriam enveredar pelos caminhos onde já foram reis. A primeira no todo o terreno e a segunda em desportivos de rally derivados de turismo. Quem não se lembra do Suzuki Samurai ou mesmo do Jimmy? Pequenos, motores económicos, mas trepam paredes. No caso da Mitsubishi, o Lancer EVO. Soberbo, bonito, carro que em pista faz frente a Lamborghini V12, como tive o prazer de presenciar, ou mesmo o Galant, lindo, agressivo, imponente. Orgulho de quem tivesse um nessa altura.  

Sinto-me triste ao ver marcas como estas a caírem no esquecimento, sem oferta para o mercado actual, a rebaixar-se aos caprichos das marcas líderes , em prol de aguentarem mais uns anos até desaparecerem de vez como já aconteceu com Saab ou com Rover.


Em modo de despedida deixo uma dica: cuidado com as parcerias que fazem ao longo da vida, porque se umas são vantajosas a ambas as partes, outras são a ruína de uma delas.

Grande abraço, caros amigos, obrigado pela visita e até uma próxima.

 
 
 

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