Que futuro esperar?
- Ricardo Soares
- 10 de fev. de 2021
- 4 min de leitura

Boas, caros amigos. O tema que vos trago hoje, apesar de recorrente e já muito discutido, merece algumas linhas. Que tipo de propulsão escolher para o nosso futuro carro?
Atualmente temos inúmeras escolhas e são tantas que pode provocar algumas dúvidas na altura de decidir. Diesel ou gasolina? Talvez a opção passe pelos mais recentes híbridos? Quiçá electrico? Vantagens e desvantagens é o que vamos abordar hoje.
Após o dieselgate (manobras menos claras de algumas marcas para adulterar eletronicamente os consumos oficiais dos seus veiculos a gasóleo, e assim cumprirem as, cada vez mais apertadas, normas ambientais mundiais) as marcas têm apostado no lançamento de vários modelos com motores a gasolina, de baixa cubicagem e na sua maioria tricilindricos, sobrealimentados, com níveis de potência bastante aceitáveis e apetecíveis. Prometem baixos níveis de CO2, baixos consumos e performances interessantes. A dúvida que se põe aqui é se motores com 1 000cc a debitar 140cv serão fiáveis. A meu ver não. São motores muito rotativos, provocando bastante desgaste nas peças moveis e eventualmente problemas graves e dispendiosos no futuro. Claro está, que tudo depende do tipo de utilização que damos ao veículo, e isto será transversal a todos os tipos de locomoção e por isso afirmo que a escolha do veículo certo para a utilização pretendida é fundamental para evitar dissabores e descontentamentos a medio/longo prazo, quer no respeitante a despesas inesperadas, quer na emoção e gosto pela condução.
Quero aproveitar para salientar que os motores diesel estão cada vez melhores e não pretendo fazer qualquer boicote aos veiculos que os utilizam. Dou-vos um exemplo de um motor diesel que, não sendo perfeito, anda perto da expressão «verdadeira obra prima da engenharia mecânica». Falo-vos do motor do BMW M50d. Eventualmente teremos oportunidade de o abordar em mais pormenor noutra publicação.
No lado oposto aos diesel e gasolina, temos os que vão buscar força á eletricidade. Desde há uns anos a esta parte que os veículos electricos têm vindo a conquistar terreno no nosso parque automóvel. Não resisto a deixar um comentário pessoal: vejo os veículos elétricos como anjos, pelo seu silencio e por serem na sua maioria brancos. Honestamente não tenho explicação para a escolha desta cor. Estes, cada vez a garantirem mais autonomia entre carregamentos, além dos benefícios fiscais para este tipo de viaturas, (falo de desconto nos impostos na compra e ao longo dos anos no IUC) são neste momento uma alternativa bastante viável aos veículos convencionais, se me permitem tal premissa. Não indo diretamente á origem, a norte-americana Tesla, que fabrica veiculos elétricos que envergonham a maioria dos super-desportivos atuais nas performances e conforto, penso que há um esforço por parte da maioria das marcas para colocar no mercado soluções elétricas que nos permitem fazer o nosso dia a dia numa cidade sem problemas e até fazer algumas viagens curtas. Caso pretendam viagens longas neste tipo de veículos recomendo um bom planeamento, com paragens para carregamentos. Atualmente, quer nas cidades, quer nas estações de serviço das autoestradas temos postos de carregamento á nossa disposição, quando não estão ocupados com estacionamentos ilegais, uma infeliz realidade nas nossas cidades.
Faltas de civismo á parte, e para confundir ainda mais os menos informados, temos uma mistura dos anteriores. Os híbridos. Estes possuem um motor a combustão, normalmente a gasolina, e um ou mais motores elétricos. O funcionamento é muito simples. O motor elétrico ajuda nos arranques, onde há um maior gasto de combustível para vencer a inercia e a partir daí há uma gestão eletrónica, fazendo com que funcione apenas um dos motores ou ambos, consoante a necessidade de potência. É uma solução interessante e reduz efetivamente os consumos, no entanto conduzir um híbrido é uma filosofia de condução diferente da habitual, para que resulte numa poupança efetiva.
Paralelo a este sistema híbrido, há outro tipo de híbrido, como o Opel Ampera, em que o motor a combustão apenas alimenta as baterias, sendo sempre o motor elétrico responsável pela locomoção.
Mas qual será, afinal, o futuro para o nosso parque automóvel? O diesel continuará no top das vendas? Os tricilindricos, a gasolina, conquistarão o mercado? Serão os híbridos? Ou os elétricos ditarão a última palavra?
Na minha opinião serão os híbridos, mas não da maneira convencional que os conhecemos. Ao invés de existir um motor de combustão interna, haverá uma célula de combustível a hidrogeneo que fornecerá a energia necessária a um ou mais motores elétricos que dará tração ás rodas, sendo uma solução bastante limpa e promissora. Ao contrário do que se pensa, os electricos estes não são amigos do ambiente, se tivermos em conta desde o início do projeto, construção das baterias, vida útil do veículo e destruição deste no final. Lembrem-se da constituição das baterias e o que custa reciclá-las sem que prejudiquem o ambiente.
Tudo o que existe hoje em dia no mundo automóvel é uma evolução do passado. Felizmente existe essa tendência em que o melhor que existe hoje, amanha está obsoleto e até chegarmos ao tipo de locomoção ideal, económica, segura, e amiga do ambiente, entre outras virtudes, temos de passar por estas tipologias todas, algumas menos boas, outras demasiado complicadas ou caras, até chegarmos, num futuro próximo, espero, á solução ideal. Para tal, temos de aperfeiçoar os elétricos e os híbridos simultaneamente, fazê-los evoluir para chegar onde queremos. Automóveis amigos do ambiente e dos condutores
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