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Porsche, o ontem, o hoje e o amanhã

  • Foto do escritor: Ricardo Soares
    Ricardo Soares
  • 25 de nov. de 2020
  • 4 min de leitura

Boas, caros amigos. Quero falar-vos de uma marca emblemática. Há muita que conquistaram o seu quinhão entre os nomes mais sonantes no mundo automóvel. Lembro-me da Ferrari, Lamborghini, Aston Martin ou mesmo a ressuscitada Maclaren, entre outras, mas hoje vou falar-vos de um nome que é mais do que uma marca de automoveis. Por uns vista como uma filosofia, por outros uma crença, o certo é que a Porsche consegue conquistar corações e almas. Com 70 anos de existência como marca sob a sigla Porsche, a sua história começou alguns anos antes, através do seu fundador, Ferdinand Porsche. Envolvido em grandes projetos como a Daimler, Auto Union da Fórmula 1 ou até ao carismatico «carocha», foi alimentando este sonho e provavelmente foi este carro do povo que deu o empurrão que Ferdinand Porsche precisava. A 8 de Julho de 1948, com 73 anos, apresentou ao mundo o 356 Nº1. Um desportivo, carroçaria roadster, com base no VW carocha, que iria ser o embrião de uma marca, só por si grandiosa. Queria salientar como é curioso, que há 70 anos atrás, algo com 35cv, era considerado um desportivo e dou por mim a pensar como serão os desportivos daqui a mais 70 anos. Só posso imaginar diversão.

Hoje quando ouvimos falar em Porsche, o nosso cerbero automaticamente liga a nossa veia desportiva, mas a porche consegue ser muito mais que isso. Já conduzi alguns desportivos, como Ferrari, Aston Martin e Bentley, entre outros, mas nenhum consegue transmitir o mesmo que um Porsche, á exceção deste último que talvez se consiga aproximar muito. O peso da história, o cariz, a capacidade de evolução e desafiar preconceitos e ideias pré-definidas, de nos envolver numa condução sublime é o que a Porsche consegue fazer. Transporta-nos para o sonho do próprio Ferdinand Porsche.

Indo ás provas de competição de tempos em tempos, a Porsche desenvolve as suas ideologias e tecnologias para os carros de série, no entanto, consegue produzir carros que se conduzem da mesma maneira que um Golf quando necessário. Passo a explicar. Na cidade, com tranquilidade, com todos os obstáculos que este tipo de circuito oferece diariamente, um 911 consegue oferecer o conforto e destreza ou desembaraço que conseguiríamos num comum utilitário, para logo a seguir irmos para um trackday e sentir toda a potência deste desportivo, toda aquela adrenalina a percorrer-nos as veias e a chegar ao cerbero a mensagem de que já estamos a abusar, sentir o carro a entender os nossos limite e fazer-nos compreender que ele é que manda, que é a sua personalidade que está a comandar, mas quer que façamos parte da aventura. Esta interligação carro-condutor não se encontra facilmente hoje em dia. De frisar que tudo isto acontece sem nos comprometer a segurança, exceto claro que não tenhamos mesmo noção do que é conduzir. Faz-nos esforçar, dar o nosso melhor, mas em contrapartida maravilha-nos a cada saída de curva e a cada reta que devora com uma velocidade incrível. Faz-nos sentir especiais.

A última aposta na competição foi na Fórmula E, o que coincide com a filosofia dos últimos modelos da porche e nos faz antever que o futuro de grande parte dos modelos da Porsche irá ser elétricos e híbridos. Já temos entre nós o Panamera, Cayenne, e Macan com motores híbridos, além da confirmação de produção do Mission E e Mission E Cross Turismo e até anda nas bocas do mundo que uns dos modelos mais emblemáticos, um verdadeiro ícone de culto, terá uma versão 100% elétrica. Estou a falar-vos do 911. Admito a minha curiosidade e ansiedade, neste regresso às origens.

Falo-vos de uma marca que está a recuperar o passado, sem qualquer dúvida. Antes da construção do 356 Nº1, Ferdinand Porche, com apenas 22 anos, dedicou-se a desenvolver veiculos elétricos, como é o caso do P1, com um motor octogonal de 3cv, com picos de 5cv, e a atingir os 35 KM/H, garantindo uma autonomia de 80 KM. Ganhou a medalha de ouro de Berlim, em 1899, cortando a meta 18 minutos antes que o segundo classificado. Simplesmente impressionante. Já este modelo tinha uma característica que ainda hoje vigora nos modelos da Porsche, a posição da chave para o por a trabalhar. Á esquerda, claro.

Inventou ainda o motor elétrico integrado nas rodas, fazendo inclusive um modelo de tração integral, com um motor elétrico em cada roda, mas achando pouco, criou o primeiro híbrido da história, com um automóvel inovador, em que o um motor a gasolina fazia funcionar dois geradores electricos que alimentavam os motores elétricos integrados nas rodas dianteiras. O que dizer? Há 110 anos atrás, já Ferdinand Porsche tinha inventado tudo. Pena que «lobby» da gasolina viria a vencer, caso contrário podemos afirmar, com toda a certeza, que o Mission E teria surgido há 50 ano atrás.

É esta capacidade de inovação e surpreender, que tem vindo a acompanhar a Porsche, ao mesmo tempo que vai buscar as suas heranças do passado, as suas origens. Vejam o Panamera e Panamera Sport Turismo. Duas versões de um familiar, com alma de 911. Ou mesmo o Cayenne e o mais recente Macan. Pura genialidade. Para muitos puristas uma heresia, eu chamo inovação. Todos eles dão cartas no mercado e no coração de quem tem o prazer de os conduzir, mantendo todo o ADN da Porsche.

Mais uma prova deste regresso ao passado, com olhos postos no futuro, por parte da Porsche, são os mais recentes 718 Boxster e 718 Cayman, ressuscitando um nome tao especial e carismatico como o 718 de 1957, que ganhou várias competições, como a famosa Le Mans ou Targa Florio. Este mantinha uma filosofia muito própria da Porsche, agora transmitida ao Boxster e Cayman. Impunha uma relação entre um motor pequeno, a leveza e bom comportamento em carros muito maiores e poderosos.

Chegado aqui sinto-me tentado a perguntar se conhecem uma marca tão rica em tradição, inovação pelos próprios meios e carismática como a Porsche. Uma verdadeira lenda.

 
 
 

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